Currículo - a quem interessar possa
Oi!
Você é empresário ou está disposto a pagar um salário a alguém? Aqui está o meu currículo sincero, para apreciação.
Sempre fui a melhor aluna da escola. As pessoas diziam que eu entraria na USP e, de fato, entrei. Por amar a escrita, optei por fazer Letras. E, já no curso, optei por Alemão como segunda língua. Era uma boa aluna, sobretudo em Literatura. Ao contrário do que dizem as estatísticas brasileiras, sei muito bem interpretar um texto, até mesmo em uma língua estrangeira.
Por puro idealismo ou idiotice, acreditei que faria diferença na vida das pessoas e decidi ser professora. Passei entre os 1000 primeiros num concurso de 60.000 inscritos e escolhi uma escola num baixo periférico, a dois quilômetros da minha residência. Então passei para a terceira língua estrangeira, o Árabe.
Mesmo vendo que muita gente menos inteligente do que eu ganhava muito mais, em empregos não tão essenciais para a sociedade, tinha bastante orgulho do que fazia: ensinar jovens condenados ao hip hop a gostarem de arte. Não a arte que lhes impõem, arte importada, chamada falsamente de arte da rua, popular. Não, eu os ensinei a gostar de Machado de Assis e Manuel Bandeira. A saber quem foi Mozart e Leonardo da Vinci. Coisas tão banais, tão imprescindíveis na vida de qualquer ser humano, que chega a ser um crime dizer que isso não é importante para quem nasceu na periferia, por ser distante da sua realidade.
Agora, Português não aborda mais língua e literatura. São linguagens e códigos. Tudo com uma utilidade na vida prática. NADA DE ARTE. E meu salário depende claramente do desempenho dos meus alunos: se tudo der certo, se nenhum faltar, se nenhum abandonar a escola, se ninguém depredar o patrimônio e se todos tiverem vontade de estudar e forem bem nas provas, aí sim, quem sabe, eu ganho uma esmola de bônus em fevereiro. Do contrário, fico com um salário base de 800 reais. Ganho menos do que qualquer aluno meu em seu primeiro emprego.
Além da formação em letras, sou atriz formada, com o famoso DRT. As artes sempre me atraíram.
Hoje não mais. Quero desistir. Tento, em vão, procurar emprego em outra área, pois qualquer coisa é menos humilhante do que ser ameaçada, intimidada todo santo dia por analfabetos, bandidos, que não estão nem aí para a escola, que vão para pichar e depredar, mas que são protegidos pelo ECA. Ainda mais quando se estudou tanto na vida. Quero largar essa vida de carcereira desarmada.
Mas o caso é que todos exigem experiência de 6 meses. Infelizmente, só tenho experiência de 10 anos na Educação. Ou seja: nunca trabalhei, somente dei aula, como costumam dizer. Tenho liderança, sou exímia mediadora de conflitos (tente pedir todos os dias para um assassino fazer silêncio e não atrapalhar o aprendizado dos colegas, quando ele está afim de soltar bomba na sala) e consigo produzir com muito pouco recurso. A necessidade aguçou minha criatividade, mas, a convivência com tantos cérebros atrofiados acabou por afetar o meu também. Já não sou inteligente achava que era. Ou nunca fui, visto que ser inteligente é saber fazer escolhas e escolhi mal a minha profissão.
Então, se você aceitar gente sem experiência, aceito qualquer cargo que me dê a possibilidade de crescimento profissional no futuro. Doméstica, recepcionista, secretária, faxineira, cobradora, porteira. Tudo, menos professora. Porque ser eleita a melhor da escola, todos os anos, nunca me poupou uma humilhação. E, limpar a sala, varrer a sujeira que não produzi, ganhar pouco nunca foi humilhante. Humilhante é ser tratada como babá de marmanjo que nem a mãe agüenta, é ser vista como vagabunda, é entrar no hospital do Servidor Público com 38 graus de febre, pressão 7/4 (sete por quatro!), garganta cheia e pus e o médico receitar tylenol, diagnosticando um princípio de gripe. Porque professor inventa desculpa para faltar, sabe? É ter a Secretária da Educação me chamando de incompetente e mandando uma proposta obrigatória, cheia de erros, para salvar os alunos que eduquei mal. É ser ameaçada de morte a cada dois meses, só porque quero realmente trabalhar.
Então, se você precisa de:
- Redatora
-Dubladora
- Atriz
- Roteirista
- Recepcionista
- Secretária (aprendo rápido)
- Auxiliar para qualquer coisa
- Copeira
ou Faxineira,
Entre em contato!
Obrigada.
Sinceramente,
Paula Rosiska
segunda-feira, 21 de julho de 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Teste inútil
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Da série: Ninguém dá a mínima - parte 1
Aqueles questionários que amamos responder e repassar. Daí os amigos recebem, respondem e não lêem o que respondemos. E a nossa vingança é que ninguém lerá o que responderem.
---------------------------
- Me entristece: Anos Dourados (Chico Buarque), Cymbeline (Loreena McKennitt)
- Me faz chorar: The Old Ways (Loreena), Inverno (Adriana Calcanhotto), Lugares Proibidos (Helena Elis)
- Me alegra: Macho Man (Village People), I will survive (Donna Summers) - Literalmente me deixam mais gay.
- Letra para se pensar/refletir: O que será que será (Chicão)
- Diz muito de mim: Whimsical (Days of the New), Dante´s Prayer (Loreena)
- Me faz lembrar de um lugar: Tomorrow (Silverchair)
- Não gostaria de ouvir de novo: lista imensa! Créu e similares, qualquer uma do Legião Urbana, Pitty.
- Tocaria no meu casamento: Lugares Proibidos (Helena Elis), Junior Artista e "Sou um Saxofone" de Chiquititas. (As últimas são exigências do noivo)
- Para viajar: viagens mentais fluem com Loreena McKennitt. Mas Matchbox Twenty tem cara de estrada.
- Tocaria no meu funeral: Cymbeline.
- Faz meus amigos lembrarem de mim: O primeiro cd da Maria Rita, o segundo cd do João.
- Gostava, mas agora não mais: Silverchair, Alice in Chains
- Admito que eu gosto: A Thousand Miles (Vanessa CArlton)
- Muitas pessoas gostam, mas eu não: Jack Jhonson (nem sei como se escreve)
- Gosto da letra: Esquadros - Calcanhotto, A new day has come (Celine Dion)
- Gosto do clipe: Celebrity Skin - Hole
- Música desabafo: Ideologia (Cazuza), Toutch, Now (Days of the New)
- Música de fossa: Canção para um grande amor (Isabella Taviani)
- Música para um momento de revolta (ou loucura): Sangue latino (Secos e Molhados), Brasil (Cazuza) - porque 90% da minha revolta é decorrência de morar aqui.
- Gostaria de acordar: "Bom dia, anjo" Jair Oliveira
- Gostaria de dormir: Eu perco o sono quando ouço música.
- Gosto, meus pais também: Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa e algumas internacionais no estilo New York New York.
- É bem melhor quando está acompanhado: I´ve had the time of my life
- Me faz pensar no por do sol: Depois de ter você (Calcanhotto)
- Me faz pensar nos dias nublados: Woman in Chains (não sei o motivo)
- Me faz pensar na noite: Night and Day
- Me faz pensar em sexo: Indifference (Pearl Jam), Todo Sentimento (Chico Buarque)
- Me faz sorrir: Trem das onze, Clube da Esquina II
- Me faz querer dançar: I´ve had the time of my life, Let´s Twist Again e ritmos caribenhos em geral
- Não é minha praia mas eu curto: Shakira
- Faz lembrar alguém que eu quero: Head over feet (Alanis)
- Para se cantar bêbado: não bebo, mas sempre penso em bêbados cantando músicas sertanejas...
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- Me entristece: Anos Dourados (Chico Buarque), Cymbeline (Loreena McKennitt)
- Me faz chorar: The Old Ways (Loreena), Inverno (Adriana Calcanhotto), Lugares Proibidos (Helena Elis)
- Me alegra: Macho Man (Village People), I will survive (Donna Summers) - Literalmente me deixam mais gay.
- Letra para se pensar/refletir: O que será que será (Chicão)
- Diz muito de mim: Whimsical (Days of the New), Dante´s Prayer (Loreena)
- Me faz lembrar de um lugar: Tomorrow (Silverchair)
- Não gostaria de ouvir de novo: lista imensa! Créu e similares, qualquer uma do Legião Urbana, Pitty.
- Tocaria no meu casamento: Lugares Proibidos (Helena Elis), Junior Artista e "Sou um Saxofone" de Chiquititas. (As últimas são exigências do noivo)
- Para viajar: viagens mentais fluem com Loreena McKennitt. Mas Matchbox Twenty tem cara de estrada.
- Tocaria no meu funeral: Cymbeline.
- Faz meus amigos lembrarem de mim: O primeiro cd da Maria Rita, o segundo cd do João.
- Gostava, mas agora não mais: Silverchair, Alice in Chains
- Admito que eu gosto: A Thousand Miles (Vanessa CArlton)
- Muitas pessoas gostam, mas eu não: Jack Jhonson (nem sei como se escreve)
- Gosto da letra: Esquadros - Calcanhotto, A new day has come (Celine Dion)
- Gosto do clipe: Celebrity Skin - Hole
- Música desabafo: Ideologia (Cazuza), Toutch, Now (Days of the New)
- Música de fossa: Canção para um grande amor (Isabella Taviani)
- Música para um momento de revolta (ou loucura): Sangue latino (Secos e Molhados), Brasil (Cazuza) - porque 90% da minha revolta é decorrência de morar aqui.
- Gostaria de acordar: "Bom dia, anjo" Jair Oliveira
- Gostaria de dormir: Eu perco o sono quando ouço música.
- Gosto, meus pais também: Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa e algumas internacionais no estilo New York New York.
- É bem melhor quando está acompanhado: I´ve had the time of my life
- Me faz pensar no por do sol: Depois de ter você (Calcanhotto)
- Me faz pensar nos dias nublados: Woman in Chains (não sei o motivo)
- Me faz pensar na noite: Night and Day
- Me faz pensar em sexo: Indifference (Pearl Jam), Todo Sentimento (Chico Buarque)
- Me faz sorrir: Trem das onze, Clube da Esquina II
- Me faz querer dançar: I´ve had the time of my life, Let´s Twist Again e ritmos caribenhos em geral
- Não é minha praia mas eu curto: Shakira
- Faz lembrar alguém que eu quero: Head over feet (Alanis)
- Para se cantar bêbado: não bebo, mas sempre penso em bêbados cantando músicas sertanejas...
terça-feira, 13 de maio de 2008
Irmãos promissores
Não sou filha da dona Guiomar e nem da dona Iolanda. Biologicamente - que eu saiba - minha única irmã se chama Amanda. No entanto, no último mês eu (re)descobri alguns irmãos de pensamento, o que me deixou bastante feliz.
Já explico: refiro-me aos também blogueiros e também do-palco Danilo Gentili e Rafinha Bastos. O Rafinha eu conhecia já da Página do Rafinha , que visitava para ver alguns vídeos sensacionais como as sessões de tortura e a famigerada paródia de Festa no Apê.
Danilo eu conheci vendo o CQC mesmo e algo me chamou atenção: ele é a versão masculina da minha irmã! Fisicamente, passariam por casal de gêmeos. Então, lendo seu blog antigo, deparei com um texto sobre a Copa do Mundo, que era o mesmo o que dizíamos e dizemos sobre o assunto, dentre outras coisas que o permitiriam me chamar de interlocutora-mor - se ele soubesse da minha existência.
O caso é que atualmente eles andam com dois Marcelos que formaram nosso caráter: Mansfield e Tas. Um dia escreverei sobre o primeiro, com calma.
Quanto ao segundo Marcelo e meus dois "irmãos", soube que estão se tornando líderes de audiência. E isso me faz ter alguma esperança de que a inteligência e o Bem ainda têm vez nesta terra. Porque todo aquele que se apresenta de cara limpa para fazer pessoas rirem só pode ser bom, ainda que não se reconheça como tal. Todo aquele que não busca o humor fácil, com gostosas de maiô, com piadas esgotadas merece meu respeito, pois seu humor não é reprodução de fórmulas, mas reflexão do que há de estranho no mundo e que o atormenta. Seu humor é mais educação do que lazer - o que, aliás, é função do humor. Ridendo castigat mores, era o lema da comédia romana (ou seria de Moliére?). E quando vi Danilo entrevistando Ciro Gomes, quando vejo Rafinha devolvendo cocôs de cachorro os donos dos bichos, vejo a essência do humor. E rio muito.
Invejo-os. Já vi em alguns de seus vídeos coisas que eu dizia para os amigos, idéias próximas. Mas sou dramática, incapaz de fazer rir. Enquanto acontece a primeira sessão do Clube da Comédia, aos domingos, estou no palco, fazendo meu público chorar. Mas ainda posso, como fiz no domingo passado, ir para a platéia do Bleeker St., pegar a segunda sessão dos meninos e rir o suficiente para agüentar a semana.
P.S. Ao ver o show, tive a impressão de que Oscar Filho assistia ao programa Fantasia aqui na minha casa e ouvia nossos comentários. Deu até medo.
Já explico: refiro-me aos também blogueiros e também do-palco Danilo Gentili e Rafinha Bastos. O Rafinha eu conhecia já da Página do Rafinha , que visitava para ver alguns vídeos sensacionais como as sessões de tortura e a famigerada paródia de Festa no Apê.
Danilo eu conheci vendo o CQC mesmo e algo me chamou atenção: ele é a versão masculina da minha irmã! Fisicamente, passariam por casal de gêmeos. Então, lendo seu blog antigo, deparei com um texto sobre a Copa do Mundo, que era o mesmo o que dizíamos e dizemos sobre o assunto, dentre outras coisas que o permitiriam me chamar de interlocutora-mor - se ele soubesse da minha existência.
O caso é que atualmente eles andam com dois Marcelos que formaram nosso caráter: Mansfield e Tas. Um dia escreverei sobre o primeiro, com calma.
Quanto ao segundo Marcelo e meus dois "irmãos", soube que estão se tornando líderes de audiência. E isso me faz ter alguma esperança de que a inteligência e o Bem ainda têm vez nesta terra. Porque todo aquele que se apresenta de cara limpa para fazer pessoas rirem só pode ser bom, ainda que não se reconheça como tal. Todo aquele que não busca o humor fácil, com gostosas de maiô, com piadas esgotadas merece meu respeito, pois seu humor não é reprodução de fórmulas, mas reflexão do que há de estranho no mundo e que o atormenta. Seu humor é mais educação do que lazer - o que, aliás, é função do humor. Ridendo castigat mores, era o lema da comédia romana (ou seria de Moliére?). E quando vi Danilo entrevistando Ciro Gomes, quando vejo Rafinha devolvendo cocôs de cachorro os donos dos bichos, vejo a essência do humor. E rio muito.
Invejo-os. Já vi em alguns de seus vídeos coisas que eu dizia para os amigos, idéias próximas. Mas sou dramática, incapaz de fazer rir. Enquanto acontece a primeira sessão do Clube da Comédia, aos domingos, estou no palco, fazendo meu público chorar. Mas ainda posso, como fiz no domingo passado, ir para a platéia do Bleeker St., pegar a segunda sessão dos meninos e rir o suficiente para agüentar a semana.
P.S. Ao ver o show, tive a impressão de que Oscar Filho assistia ao programa Fantasia aqui na minha casa e ouvia nossos comentários. Deu até medo.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Nova Fase
Seis anos de postagens absolutamente pessoais deletadas. Ainda as tenho, porque me são valiosas, mas este blog já não tinha mais sentido. Não sou mais a mesma menina de 21 anos, que nunca soube o que era amor. Também não sou a estudante revoltada, ou a fã de tanta gente que quase ignora minha existência.
Resolvi manter o "domínio" por carinho ao que representou. Mas, de hoje em diante, postarei artigos de opiniões não solicitados, sem embasamento algum, cheios de preconceitos - eu disse preconceito e não racismo - e idéias politicamente incorretas. Meu objetivo é que algum dia eu receba por e-mail algum texto meu, com autoria atribuída a Arnaldo Jabor...
Aliás, certa vez encaminhei um texto de algum famoso e disseram que era mentira, que era meu, mas, para dar maior credibilidade, eu usei pseudônimo de autor conhecido, porque queria FAZER A CABEÇA das pessoas. Até hoje encaro isso como elogio, embora assim o faça por não saber direito o que pensar. De qualquer forma, que fique claro: não quero fazer a cabeça de ninguém, pois, o dia em que for capaz disso, começarei por fazer a minha, tão confusa.
Quando posto uma reflexão aqui, ainda que banal, é uma tentativa de diálogo com outras mentes, que desfaçam minha cabeça e provem que estou errada. Pois não gosto de estar certa. Não é bom ter razão quando se é lúcido e se vive no Brasil.
Feliz blog novo.
Resolvi manter o "domínio" por carinho ao que representou. Mas, de hoje em diante, postarei artigos de opiniões não solicitados, sem embasamento algum, cheios de preconceitos - eu disse preconceito e não racismo - e idéias politicamente incorretas. Meu objetivo é que algum dia eu receba por e-mail algum texto meu, com autoria atribuída a Arnaldo Jabor...
Aliás, certa vez encaminhei um texto de algum famoso e disseram que era mentira, que era meu, mas, para dar maior credibilidade, eu usei pseudônimo de autor conhecido, porque queria FAZER A CABEÇA das pessoas. Até hoje encaro isso como elogio, embora assim o faça por não saber direito o que pensar. De qualquer forma, que fique claro: não quero fazer a cabeça de ninguém, pois, o dia em que for capaz disso, começarei por fazer a minha, tão confusa.
Quando posto uma reflexão aqui, ainda que banal, é uma tentativa de diálogo com outras mentes, que desfaçam minha cabeça e provem que estou errada. Pois não gosto de estar certa. Não é bom ter razão quando se é lúcido e se vive no Brasil.
Feliz blog novo.
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